talvez
se
quando
aquela que chega
sempre certa
quando ponteiro do tempo
marca os números tortos
cadê a placa?
não sei ler horas
qual é o tempo
sobre o período
da tua alma?
com que frequência
visitas
o caminho
da minha porta?
te olho e vejo
outro rosto
não o mesmo
com desgosto
mas um outro
que não é teu
que a estrada me guie
por onde o meu guidom
não quiser
curvar
dezembro 11, 2012
outubro 16, 2012
Bruta
Meu jeito brusco de buscar me rabisca o peito e não me inventa em nada
Minha busca não tem rascunho e rabisca o mais robusto dos brutos
Daí me olho e me desfaço como quem busca entender sutilmente
o impulso quase brusco de querer buscar
Coração rabiscado já é bruto e é sempre brusco quando quer se levantar
Brutalidade breve, mansa
Ou é agora ou é nunca e é sempre nunca quando sou brusca ao inventar
de não querer buscar
Mas o que eu quero - o que quero? Quando quero invento de buscar bem brusca
E rabisco o que encontro na tentativa de inventar
um jeito menos brusco no rascunho do que sou
Como quem ama que cega a busca de não ser brusca a pedra bruta do amor
Minha busca não tem rascunho e rabisca o mais robusto dos brutos
Daí me olho e me desfaço como quem busca entender sutilmente
o impulso quase brusco de querer buscar
Coração rabiscado já é bruto e é sempre brusco quando quer se levantar
Brutalidade breve, mansa
Ou é agora ou é nunca e é sempre nunca quando sou brusca ao inventar
de não querer buscar
Mas o que eu quero - o que quero? Quando quero invento de buscar bem brusca
E rabisco o que encontro na tentativa de inventar
um jeito menos brusco no rascunho do que sou
Como quem ama que cega a busca de não ser brusca a pedra bruta do amor
setembro 18, 2012
Tempestade inconsciente
Em dias de chuva percorremos corredores
internos e abrimos portas de lugares que não visitamos com frequência.
Geralmente, são quartos escuros. Ambientes cheios de poeira que, por alguma inclinação, não recebem atenção frequentemente. A chuva nos coloca em posição direta de
reflexão. Se a rotina não permite este foco os intervalos entre tarefas se encarregam de fazer a mente voar. Dia de chuva é
dia de faxina.
Quando damos por nós estamos fitando as paredes, esperando respostas. Respostas que não vêm de perguntas conscientes. Esperamos entender coisas, pessoas e situações que em dias de sol aceitamos não terem razão ou sentido. Aceitamos porque ignoramos. Quando há chuva não há espaço para pensamentos rasos. Acredito que dias cinzas chegam, ironicamente, para iluminar. Ao fazermos esse passeio interno reconhecemos cada enfermidade. Focamos no que foi interrompido e, com sorte, conseguimos sarar alguma dor.
Nuvens escuras nunca se instalam sozinhas. Basta observar. Elas precisam umas das outras, como uma família. Como ovelhas que sempre andam em grupos. Talvez o motivo seja a própria fragilidade de uma nuvem. Sozinha ela não se sustenta. Não se encontra. Sozinha ela apenas vaga no céu. Vaga como o sensível cordeiro quando é separado de seu rebanho. Não há nuvem que resista ao sol. O choro de todas elas juntas, durante a tempestade, é quase desesperador. No entanto, ele não é retórico. Há momentos em que só a força de uma enorme tempestade para nos fazer realocar a intensidade que tanto depositamos em coisas, pessoas e situações erradas.
Quando damos por nós estamos fitando as paredes, esperando respostas. Respostas que não vêm de perguntas conscientes. Esperamos entender coisas, pessoas e situações que em dias de sol aceitamos não terem razão ou sentido. Aceitamos porque ignoramos. Quando há chuva não há espaço para pensamentos rasos. Acredito que dias cinzas chegam, ironicamente, para iluminar. Ao fazermos esse passeio interno reconhecemos cada enfermidade. Focamos no que foi interrompido e, com sorte, conseguimos sarar alguma dor.
Nuvens escuras nunca se instalam sozinhas. Basta observar. Elas precisam umas das outras, como uma família. Como ovelhas que sempre andam em grupos. Talvez o motivo seja a própria fragilidade de uma nuvem. Sozinha ela não se sustenta. Não se encontra. Sozinha ela apenas vaga no céu. Vaga como o sensível cordeiro quando é separado de seu rebanho. Não há nuvem que resista ao sol. O choro de todas elas juntas, durante a tempestade, é quase desesperador. No entanto, ele não é retórico. Há momentos em que só a força de uma enorme tempestade para nos fazer realocar a intensidade que tanto depositamos em coisas, pessoas e situações erradas.
setembro 13, 2012
Tanto
Tem dia que pesa mais. Tem fase que a cruz parece de ferro. Tem noite que a nuvem atrai mais que a lua. Tem hora que o relógio parece parar. Tem momento que a escuridão sobrepõe a luz. Tem suspiro que precisa de silêncio. Tem silêncio que parece enlouquecer. Tem surto que é doentio. Tem lágrima que parece inundação. Tem gente que não sabe chorar. Tem excesso que borra o sangue. Tem sangue que precisa de agulha. Tem agulha que assusta olho. Tem olho com medo de pele. Tem pele de tanta cor. Tem cor que falta em tanta gente. Tem tanto que é tão pouco. Tem tão pouco que é sempre quase. Tem tanto dentro de mim. Tanto que precisa ser suave. Tem nada que é libertador. Tem gente que entende nada. Tem tanto que mancha a gente. Tem mancha que só fogo apaga. Tem fogo que parece não aquecer.
julho 09, 2012
Desproposital
E quando a retina do peito
Engole a seco a súplica da pálpebra
O arrepio imuniza o pensamento
E o todo vira cor
Na nudez de quem tem medo
Engole a seco a súplica da pálpebra
O arrepio imuniza o pensamento
E o todo vira cor
Na nudez de quem tem medo
Dublê
Queria ser cover de mim
E cavar até o fundo
Pra descobrir o que há na minha escuridão
Sem me decepcionar com o que encontrar
Sem saber sorrir apenas por o que há lá
Queria ser cover de mim
Pra poder viver meus sonhos
Sem deixar de sonhá-los
E ser assim
Só mais um alguém que me conhece
Sem dó ou orgulho de mim
Apenas
Um ensaio do que sou
Um cover, uma cover
Uma imitação que dobra as expectativas
E no fim
Não mata a fome
Mas ronca o estômago
Como a embalagem bonita de um remédio
Com prazo efêmero de luta
E cavar até o fundo
Pra descobrir o que há na minha escuridão
Sem me decepcionar com o que encontrar
Sem saber sorrir apenas por o que há lá
Queria ser cover de mim
Pra poder viver meus sonhos
Sem deixar de sonhá-los
E ser assim
Só mais um alguém que me conhece
Sem dó ou orgulho de mim
Apenas
Um ensaio do que sou
Um cover, uma cover
Uma imitação que dobra as expectativas
E no fim
Não mata a fome
Mas ronca o estômago
Como a embalagem bonita de um remédio
Com prazo efêmero de luta
junho 05, 2012
Um menino
Ouvi uma história muito triste ontem. Uma
história que aconteceu há algum tempo. Talvez alguns dias. A história de um
menino que não queria mais ficar trancado entre as paredes de casa. Um menino
que ficou preso nos muros que ele mesmo construiu. Um menino como outros tantos
que não sabia mais caminhar. Que não achava a solução. Foi chamado de louco por
não saber as respostas. De uma forma desesperada e triste o menino tentou voar.
Mesmo sabendo que possuía asas curtas e que logo seu corpo encontraria o
concreto. Os gritos do menino embalavam sua passagem pelo ar. Acho que gritava
pra sentir um pouco de vida entrar pelos poros; pelos olhos. A vida que ele
bloqueou de entrar ao se fechar pro mundo. A porta que ele trancou quando o
mundo lhe deu as costas. De repente, o céu lhe responderia. Então, ele abriu o
corpo pro universo. Até que caiu. Só um menino. Um menino que buscava por outra
forma de vida. Viu no ar uma nova fonte. Um menino que pagou um preço alto por
ir ao topo de seu limite. Lá de cima ele viu sua vida despencar. A nova vida
lhe custou a capacidade de pisar no chão com os próprios pés. Só um menino. Um
menino como a gente. Um menino que precisava de ajuda pra se reerguer. Um
menino que teve os sonhos roubados pela dor. A história muito triste de um
menino que não sabia voar. Um menino que ainda precisa de ajuda pra
caminhar.
maio 31, 2012
Considerações finais
Desde que comecei a buscar pela felicidade me tornei menos interessante.
Antes, eu não me importava.
Eu apenas vivia.
Antes, eu não me importava.
Eu apenas vivia.
maio 29, 2012
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